Adolescentes com celular

Vivemos hoje em uma nova era. A influência da tecnologia nas nossas vidas é cada vez mais crescente. Desde o momento que acordamos até a hora de irmos dormir, estamos conectados. Em casa, usamos o celular para pesquisar aquela receita que vimos em um blog, durante o trânsito ligamos um aplicativo que vai nos ajudar a escolher o melhor caminho a percorrer de um ponto a outro, no trabalho, a internet nos deixa sempre disponíveis para o chefe, o cliente, os pacientes, e durante todo o dia, estamos conversando com os amigos, em qualquer parte do mundo que eles estejam. Parece muito interessante né? De fato, a tecnologia trouxe muitos benefícios no nosso dia a dia, algumas coisas que antes demorariam dias ou talvez meses, hoje podem ser resolvidas em questão de minutos. Tem muita informação ao nosso alcance, vinte e quatro horas por dia. Mas, infelizmente, não são apenas coisas boas que essa era digital vem nos trazendo.

A cena acima, três jovens sentadas em um parque, cada uma com seu smartphone, lhe parece familiar? Imagino que sua resposta tenha sido afirmativa. Cenas como essa tem aumentado exponencialmente em todos os espaços sociais: almoços familiares, reuniões de amigos, salas de espera, e cada vez mais temos parado de olhar para o nosso lado. O impacto nas relações sociais que os smartphones e tablets vêm trazendo para as novas gerações pode ser devastador. Os adolescentes e inclusive adultos jovens, têm preferido cada vez mais ficar conversando por meio de aplicativos do que encarar um olho no olho. As consequências disto são inúmeras e vem deixando os pais cada vez mais em estado de alerta. Por trás das telas, muitas vezes os jovens têm encontrado um mundo encantado, onde tudo é possível e eles podem fazer o que quiserem. No meio de uma fase turbulenta de transformações que é a adolescência, eles encontram uma liberdade tão desejada, porém igualmente perigosa. Cyberbullying, grooming, pornografia, nudes, desafios perigosos, gamificação, a cada ameaça nova que surge no mundo virtual, adicionam-se novas palavras em nosso vocabulário.

Frente a esta nova realidade, mostra-se necessário que pais e responsáveis assumam a tarefa de controlar e observar o uso destes dispositivos por seus filhos e filhas, dando regras e limite bem estabelecidos e que devem ser respeitados.

São recomendações da Sociedade Brasileira de Pediatria:

  • O tempo de uso diário ou a duração total/dia do uso de tecnologia digital seja limitado e proporcional às idades e às etapas do desenvolvimento cerebral-mental-cognitivo-psicossocial das crianças e adolescentes.
  • Desencorajar, evitar e até proibir a exposição passiva em frente às telas digitais, com exposição aos conteúdos inapropriados de filmes e vídeos, para crianças com menos de 2 anos, principalmente, durante as horas das refeições ou 1-2 h antes de dormir.
  • Limitar o tempo de exposição às mídias ao máximo de 1 hora por dia para crianças entre 2 a 5 anos de idade. Crianças entre 0 a 10 anos não devem fazer uso de televisão ou computador nos seus próprios quartos. Adolescentes não devem ficar isolados nos seus quartos ou ultrapassar suas horas saudáveis de sono às noites (8-9 horas/noite/fases de crescimento e desenvolvimento cerebral e mental). Estimular atividade física diária por uma hora.
  • Crianças menores de 6 anos precisam ser mais protegidas da violência virtual, pois não conseguem separar a fantasia da realidade. Jogos online com cenas de tiroteios com mortes ou desastres que ganham pontos de recompensa como tema principal não são apropriados em qualquer idade, pois banalizam a violência como sendo aceita para a resolução de conflitos, sem expor a dor ou sofrimento causado às vítimas, e contribui para o aumento da cultura de ódio e intolerância e devem ser proibidos.
  • Estabelecer limites de horários e mediar o uso com a presença dos pais para ajudar na compreensão das imagens. Equilibrar as horas de jogos online com atividades esportivas, brincadeiras, exercícios ao ar livre ou em contato direto com a natureza.
  • Conversar sobre as regras de uso da Internet, configurações para segurança e privacidade e sobre nunca compartilhar senhas, fotos ou informações pessoais ou se expor através da utilização da webcam com pessoas desconhecidas, nem postar fotos íntimas ou nudes, mesmo com ou para pessoas conhecidas em redes sociais.
  • Monitorar os sites/programas/aplicativos/filmes/vídeos que crianças e adolescentes estão acessando/visitando/trocando mensagens, sobretudo em redes sociais. Manter os computadores e os dispositivos móveis em locais seguros, e ao alcance das responsabilidades dos pais (na sala) ou das escolas (durante o período de aulas).
  • Usar antivírus, antispam, antimalware e softwares atualizados ou programas que servem de filtros de segurança e monitoramento para palavras ou categorias ou sites. Alguns restringem o tempo de uso de jogos online e o uso de aplicativos e redes sociais por faixa etária. Ainda assim, é importante explicar com calma e sem amedrontar as crianças e adolescentes quais são os motivos e perigos que existem na Internet, espaço vazio e virtual e onde nem tudo é o que parece ser!
  • Aprender / Ensinar a bloquear mensagens ofensivas ou inapropriadas, redes de ódio, violência ou intolerância ou vídeos com conteúdos sexuais e como denunciar cyberbullying em helplines ou através da SAFERNET ou disque-denúncia tel. 100.
  • Conversar sobre valores familiares e regras de proteção social para o uso saudável, crítico, construtivo e pró-social das tecnologias usando a ética de não postar qualquer mensagem de desrespeito, discriminação, intolerância ou ódio.
  • Desconectar. Dialogar. Aproveitar oportunidades aos finais de semana e durante as férias para conviver com a família, com amigos e dividir momentos de prazer sem o uso da tecnologia, mas com afeto e alegria.

É importante que estejamos preparados para lidar com a educação de nossos filhos nesta nova era. A influência da internet na sociedade tende a ser cada vez mais crescente e ignorar tal fato certamente passa longe de ser uma solução. A hora é agora!

Manual de Orientação para Saúde do Adolescente na Era Digital – Sociedade Brasileira de Pediatria.

 

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